Imagem: reconstrução ilustrativa generativa. Não constitui registro documental do objeto ou acontecimento retratado.

O que foi reconstruído?

Pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade de Yale reuniram filologia, história e musicologia para propor três interpretações musicais de Chorus Brasilicus, composição em tupi antigo apresentada em Lisboa em 1619. A letra e a descrição da apresentação sobreviveram em documentação histórica, mas a melodia original não foi preservada. As novas versões, chamadas Solo & Chorus, Contrafactum e Basso Sostenato, foram apresentadas no Museu de Arte Contemporânea da USP, em maio de 2026. O trabalho contou com participação de pesquisadores especializados na língua tupi e na música do período.

Por que isso é importante?

A pesquisa mostra como documentos escritos podem permitir experiências de reconstrução sonora, mesmo quando a partitura original desapareceu. Também abre uma discussão sobre a presença e a representação de línguas indígenas em espetáculos do mundo colonial português. É essencial distinguir recriação fundamentada de recuperação literal: as três melodias são propostas contemporâneas, e não a comprovação de como a obra soava em 1619. O projeto oferece material para pesquisas sobre história cultural, linguística histórica e circulação atlântica de repertórios.

Fonte: Jornal da USP.

Sobre a imagem

Recorte do fólio 58 da Relación de la real tragicomedia, de Juan Sardina Mimoso (1620), com o título Chorus Brasilicus, texto em tupi e tradução portuguesa. Reprodução do documento original; não há partitura. Digitalização BBM/USP, página 143 do PDF. · Juan Sardina Mimoso, Relación de la real tragicomedia (1620). Digitalização: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin/USP. · Fonte da imagem